O estado de saúde sobretudo dos países latino-americanos e do Caribe é preocupante. Afinal, 230 milhões de habitantes da América Latina e do Caribe não contam com seguro-saúde; 82 milhões de crianças não completam um programa de vacinação; 120 milhões estão sem acesso à saúde por razões econômicas; e 107 milhões sem acesso à saúde por razões geográficas.
A discrepância entre os países ricos e os pobres é grande, o que permite destacar a necessidade de ações urgentes para a melhoria da saúde onde ela é mais necessária.
Esse quadro é consequência do processo de globalização dos últimos anos, responsável pelo aumento da pobreza e pelo desenvolvimento econômico desigual. A globalização não tem portas. Por isso, temos que criar novas condutas para esse mundo sem portas, um pacto de superação das desigualdades.
Entendendo que as más condições de saúde de algumas populações são reflexos da desigualdade social, enfrentar os problemas da saúde pública exige também uma redistribuição das riquezas. Seria necessário construir um sistema de saúde forte e sustentável, transferindo recursos dos países ricos para os países pobres.
Os sistemas de saúde devem ter a capacidade de garantir a todos os seus cidadãos proteção social em saúde e serviços de qualidade; de contribuir para eliminar as desigualdades no acesso; de proporcionar aos grupos sociais excluídos oportunidade para receber atenção integral; e de satisfazer as necessidades e demandas de saúde da população.
Para o novo milênio, a saúde pública precisa de governantes que tenham como princípio a atenção primária à saúde; a promoção da saúde; a proteção social em saúde e a saúde como um direito humano. Algumas ações são fundamentais na construção de uma saúde global para o futuro: saúde como um bem público global, como forma de segurança de todos, como a chave para novos tipos de governança no âmbito global; que programas privados e setoriais passem a ter mais responsabilidade com a saúde (a exemplo do Programa Fome Zero no Brasil, que está mobilizando diversas instituições particulares), e que saúde pública seja entendida como componente de direito e cidadania humana.
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